17 novembro 2014

Ao passar

Acordar e se encontrar perdido. Passos entre o ontem e o que está por vir do hoje, buscando lembranças do que se foi, do que se é e do que será. E aos poucos os pontos vão se ligando, até entender onde está, onde esteve e onde deveria estar...

Então começam as listas... Do que fazer, do dizer e do que evitar. Das obrigações, do descansar e do planejar... E listas, e mais listas e listas... E números, contagens, quantos passos eu já dei? quantas palavras já devo ter dito até essa hora do dia????

Quantos cafés já tomei, quantos chás já desejei, quantos horas tenho até as sete????  Quantas pessoas já passaram por mim na rua, no ônibus, na vida?

E são tantas escolhas, tantos por quês e tantos desejos controlados... E são tantas opções, canções e danças para se desfrutar... Fora a estante, lotada de livros, de histórias e verdades..

Como pode o tempo não ajudar? Como pode minha vida ser lotada e vazia, ao mesmo tempo... Ao passar?!

2 comentários:

  1. Que texto fantástico. Muito, muito belo! Nosso coração é esse fenômeno 'multidimensional' em que coabitam listas sem fim, afazeres infindos, e vazios que estranhamente nunca são preenchidos, não importa o que façamos. Digo-te que é preciso achar a dimensão do vazio. Somente nela, podes preenche-los. Belíssimo. Beijosssssssss

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