20 dezembro 2013

Só quero a verdade

Boa noite,

Você não tem ideia da situação. Estou doente. E doente não por me considerar doente. As pessoas dizem, o médico disse, e o mais importante: Minha família disse.
Está sendo difícil pra mim assumir tudo isso como uma doença...E de verdade? As vezes não considero não.
Sei que você deve estar curioso agora, mas calma.Contarei tudo direitinho e prometo que ao final desta postagem você de tudo saberá.

Uns dizem que fiquei louca, que minha mente deu um curto circuito e pirei. Outros tem pena- que eu considero bem pior do que me rotular de louca. Uns falam o nome da doença e me olham com a aquela cara de tipo.. - Nossa você uma menina tão inteligente e saudável caindo nessa!!! (E sim, essa frase saiu da boca de pessoas recheada de sarcasmo e ar de desapontamento.) Ou pior, dizem que isso é frescura, coisa de garota fútil que só pensa na aparência.

Vou te contar diário, antes era para me aceitar. Agora já não sei mais para que. Não me acham bonita, roupa nenhuma fica normal em mim e ainda por cima, as vezes olho para o espelho e não espero beleza. Espero me aceitar e conviver com isso. Não gosto do nome da doença, não a considero uma amiga que me ajuda a ser quem sonho ser. Me olho e não vejo o que me dizem parecer.

A magreza para mulher é como um sonho. Toda mulher quer ser magra, linda. A moda transformou a palavra magreza como o novo linda, assim como o amarelo é o novo preto nesse verão.

Preciso do controle. Vivo perseguindo isso. Não ter o controle me assusta, me apavora.
Desde criança eu tinha a mania de contar tudo. Quantos passos eu dava da minha casa até a escola, quantos minutos daria tudo, quantas janelas tem naquele lugar ou quantos minutos consigo ficar sem respirar. Eu contava tudo... Hoje vejo que nesses 23 anos de vida, busquei ter controle o tempo todo. E ao crescer, me vi contando novamente, só que outras coisas. Os números são meus inimigos hoje. Não os vejo como algo diferente. Eles podem me deixar feliz num dia... E me deixar louca em outros..Hoje conto calorias. E essa contagem tem definido meu dia, minha noite e minha madrugada.
As vezes olho para trás e não consigo entender como eu cheguei até aqui. Por que toda essa guerra interior? Por que meu peso importa tanto?
A pior coisa que tem é você ver todos comendo e sendo felizes. As pessoa olham para a beleza da comida, para o gosto que ela tem. Eu só vejo números.  Que inveja de ser normal.

Hoje me olho no espelho e não me reconheço. Estou machucando sem querer as pessoas que amo e isso me dói, por que não sei como sair dessa. Não sei como fazer.
Só posso te dizer uma coisa, eu estou tentando sair de onde estou. Estou tentando sair dessa prisão que nem eu sei como fui parar nela. Estou morrendo de medo.
só te digo uma coisa, nem todos os nossos problemas estão relacionados a família. Minha família e principalmente minha mãe tem sido a minha cura. Se eu não estivesse machucando a todos ainda estaria de olhos fechados para o espelho e para o que eles veem.
minha oração diária é: Deus que eu veja o que eles me dizem ver. Quero a verdade!

Odeio quando me dizem que estou com anorexia. Por que não quero ser uma doente. Não quero. É ruim ler e até mesmo escrever o nome dessa droga. Estou tentando parar de me pesar, de contar, de pensar... Estou tentando encontrar a verdade.

14 novembro 2013

O coração de uma garota é um mar de segredos


Faz tempo que não falo, não escrevo nada sobre o que aconteceu ou está acontecendo em minha vida. E as vezes até prefiro isso, já que tudo é sempre tão complicado.
 A sensação que predomina nesse momento é que estou perdida. Que não sei como enfrentar o que está acontecendo. Tudo depende de mim agora. Se eu não fizer nada tudo vai escorrer entre meus dedos... Na verdade tentar controlar minha vida amorosa é o mesmo que tentar segurar o vento. Não se escolhe que ama, não se escolhe as reações. Não se escolhe muitas coisas, mas algumas precisam ser escolhidas. Algumas não fluem... Não tem como segurar o vento e nem saber para onde ele vai ou vem, mas tem como fechar as janelas para ele não entrar, tem como escolher o perfume que ele levará consigo e tem como acelera-lo... tipo com o ventilador talvez.

Ontem fiquei pensando sobre tudo o que anda acontecendo e sobre as pessoas que estão na minha vida. Analisei todas as palavras que foram ditas e todas as promessas feitas. E mesmo colocando todas as cartas na mesa, não cheguei a algo conclusivo.

A verdade é que não existe razão para as coisas que vem do coração né? A racionalidade não existe se comparada a emoção. E essa guerra sei que vou travar pelo resto da minha vida. Se fosse fácil, se não fosse tudo tão complicado quando se trata de mim... As vezes complico um pouco- mesmo sem querer- mas tem coisas que são complicadas mesmo por que são e ponto final.

O problema de tudo isso é que não me sinto mais em casa. Não sinto que pertenço a um lugar definido e a única coisa que vem na minha cabeça é que no fim todo mundo que estava envolvido comigo ou ao meu redor, consegue seguir outro rumo. Consegue começar histórias inéditas e eu.. Eu continuo na mesma história, presa no mesmo enredo outra e outra e outra vez.
Elas mudam se cidade, elas param de frequentar os lugares antigos, elas mudam de perspectivas e eu... Eu continuo presa. remoendo momentos, revivendo sozinha cada hora, cada segundo. Relembrando cada perfume e gosto. E no fim disso tudo o que vejo é que sou uma doente viciada no passado e uma medrosa ridícula que teme um futuro.

23 outubro 2013

K

Quem és tu que me lês? És o meu segredo ou sou eu o teu? 

Clarice Lispector

21 outubro 2013

Nada

Bom nunca havia sido fácil contar minha história. Muito menos falar sobre sentimentos.O único assunto que rondava-me a mente era uma palavra e o resto do que esta palavra iria trazer. Você pode perguntar para qualquer pessoa que já teve depressão, nenhuma delas vai dizer a você que pensavam - nem por um segundo- nos familiares, ou nas pessoas que dizem ama-las. Existe na mente a caixa do nada e mais nada. Não existe o sentimento de ninguém, nada importa sabe por que? Bom, você pode pensar ser egoísmo mas não é... O que realmente acontece é a dor ser tão grande que não se sente nada além dela. Ela te preenche, te sufoca. Te envolve em uma bolha de dor, caos e falta de esperança

. - Por que nada dá certo, por que ninguém parece se importar, por que viver se torna sacrificante e só o fato de respirar dói... Dói por que nada preenche o buraco no peito. Nada.

Aos 16 anos o assunto predominante em minha vida era a morte. E tudo o que vem com ela. Costumava associar a morte com paz. Com tranquilidade, afinal só depois que se morre é que não se pensa em mais nada. Mas a pior parte nem é essa... Descobri que a depressão não é curada como um resfriado. É um tratamento diário, e para toda uma vida... Como um vicio que te perturba, que não pode ser alimentado. Por que sempre vence quem se alimenta mais.

10 outubro 2013

Espelho

- Ele não me diz nada.
- Tente, olhe outra vez.... Alguma coisa?
- Nada!
- Vai dizer que não reconhece?
- Não. Só vejo marcas. Muitas.Uma por cima da outra, transfigurando a imagem inicial.
- Uhn... Já é alguma coisa.
- Pode ser...

09 outubro 2013

Seguindo as borboletas


Voltou ao vazio de não sentir. De não conseguir sentir o gosto das coisas... De viver, de contemplar o mundo e sua mania de pregar peças em tudo. Deixou-se levar, sumir em meio ao caos. As forças do não concreto pensamento sobre tudo. Contando a própria história na terceira pessoa para ninguém no mundo enxergar o obscuro, o confuso.

- Bem, uma amiga minha disse... Certa vez alguém pensou...

A vida foi dura. Castigou demais.Seus pensamentos foram devorados. Não conseguia entender e nem concluir suas interrogações. Não existia ponto final, não existia. Ao longo das horas apareciam algumas reticências e interrogações. No fim na noite sobravam as exclamações. Os gritos que ninguém podia ouvir.

Sem cor, sem música... Apenas sorrisos calculados.

Ela era duas. Uma outra pessoa vivendo dentro dela. Uma queria lutar e a outra apenas deixar o tempo passar e a areia da ampulheta cessar.

08 outubro 2013

Faz tanto tempo...

E ao acordar, sentiu que sua  vida tinha sido arrancada de si. Que mãos estranhas haviam rasgado seu peito e tirado de lá tudo que o coração precisava para fazer seu trabalho, para a manter viva.
Chegou por fim prender a respiração para ver se seus pulmões gritariam por socorro.E conseguiu respostas conclusivas: seu corpo - por mais fraco e ruim que estivesse- lutava para funcionar. Logo foi obrigada pela força da natureza voltar a respirar. E o choro tomou conta de tudo. Nenhuma força externa a poderia fazer querer viver naquele instante. Ninguém.

O motivo pelo qual viveu por anos havia desaparecido. Em uma multidão de rostos, de cotidiano, de histórias roubadas. Cortes e contas não seriam capazes de ajudar a amenizar o estrago. E orações não chegaram a ser concluídas.


- Alô! Alô.

Era tudo que poderia ter. Nada restava além de sentir o vazio de ser apenas um.