05 maio 2018

Sentir



   Hoje acordei decidida a sair e tentar ver o mundo, ver gente. Ultimamente me encontro confusa, cansada. Sabe o que parece? que a dor me acompanha onde vou. A felicidade parece não gostar de mim, ou quem sabe eu não sei lidar com ela.
   Me chamam de muitas coisas... De louca, ingrata, bipolar. São muitos nomes e poucos sabem quem realmente sou. Na verdade acredito que apenas uma pessoa sabe quem sou. É com ela que eu consigo falar e ser o que sou.Conseguia né...
   De um jeito ou de outro as pessoas se afastam, preferem assim. Acredito que fazem isso porque é difícil lidar com alguém como eu. Viver comigo é como estar em uma montanha russa, uma montanha russa que nunca para. Entendo as pessoas que se vão, entendo que afasto também todos os que querem fazer o esforço de estar por perto.
   Ninguém quer estar ao lado de um problema ambulante. Ninguém gosta de drama, de ter que sei lá... Conviver. Escrevendo assim até parece que sou um fardo ou sei lá... Mas as vezes posso sentir que existem pessoas que me querem por perto, que tentam sabe? 
   Já ouvi dizer que o problema todo sou eu. Eu não consigo confiar mais. Não consigo me permitir sentir. E dói! Sempre vai doer tudo que eu perdi por isso, por ser assim. Por deixar a vida passar, por deixar os outros decidirem por mim.
   Se consigo sentir? Se consigo saber quem sou e sentir o que realmente me machuca?  A parte que me falta? E se existe mesmo uma parte faltante... Eu sei que falta.
   Eu só queria sentir! Sentir tudo que até hoje não me permiti. Queria saber viver, queria fugir de mim, fugir de tudo que me cerca, me envolve, me sufoca! Eu só queria não ligar, apenas sentir o vento, o som, o sentimento que faz o tempo parar e que não me permitiria aguentar ficar de pé... Sentir quem sou, não ligar pra isso e sentir o amor.
   Acredito ser o único jeito de sair daqui.

14 março 2018

Vida

Existem  coisas que desejamos que não precisamos, e as desejamos por não saber o que é o melhor.
   
 
   Sempre tive problemas de aceitar que o que passou passou. Que não tem como corrigir as coisas que fazemos ou as pessoas que deixamos para trás. E até mesmo as coisas que um dia aceitamos.
   Minhas falas e pensamentos não são saudosos como aparentam ser, são apenas pensamentos. Cogitações sobre o que foi, é e o que poderia ser. Acredito já ter falado sobre isso anteriormente aqui. 
   A vida passa, as pessoas vão, voltam e o ciclo começa e termina simultaneamente. Não dá para parar, não dá pra voltar atrás, não dá para acelerar também o tempo. Costumo pensar que isso é uma bela bosta, mas  será que o acerto existiria sem o erro? será que o certo seria considerado certo se o errado não existisse para o confrontar?
   Não dá para fugir das cicatrizes que a vida nos dá, as histórias existem para contar. Os " E se" não fazem sentido se nada pode ser feito. Penso que o segredo pra sobreviver a tudo isso, as coisas da vida... O segredo está em se apegar ao que está a sua frente. Tudo vai continuar, a vida é simplesmente um trem sem parada. E quando se entra nele, não tem como descer.
   

13 março 2018

Não sou nada do que costumava ser

Não escrevo aqui desde o ano passado. Os anos me deixaram mais preguiçosa, com menos vontade, menos garra.Mas ainda da tempo de detalhar meus dias de 2018.
Tem sido difícil. Um dia mais difícil que que o outro, mas não serei daquelas que reclamam... Não mais.
Minha vida nunca foi fácil. Sempre uma luta atrás da outra. Comigo mesma, com os outros... com os outros que vivem dentro de mim. As verdades que eu tanto guardei dentro de mim finalmente estão querendo sair. E posso te dizer, elas não são boas. Elas machucam a mim, aos outros, a todos.
Tem muitos dias em que me olho no espelho e não me reconheço mais. E não é fácil dizer, admitir isso. 
Eu ainda me lembro daquela garota. Que não se rendia, que era uma bagunça, mas que era boa. Aquela garota que não sabia o que queria, mas sabia o que não queria. Mas agora eu tenho você. Uma mulher que precisaria de uma oportunidade ou duas para voltar e corrigir os erros que cometeu.
Ela era uma força, ela era solitária mas ainda continua a ser. Ela era quebrada mas não pedia ajuda, ela era dura com si mesma.
Ela era divertida, não fazia nada que não queria. Ela era tudo isso misturado dentro de um pote.Essa garota se foi, e ela costumava ser eu.
Não é simples de dizer, muitos dias não reconheço eu mesma. Eu lembro...

12 outubro 2017

Sobre voltar

   Bom, poderia muito bem voltar a escrever aqui, mas não sou mais a mesma. Mudei drasticamente, sou uma pessoa mais pé no chão agora, alguém menos dramática. Me peguei essa semana relendo vários textos daqui, e percebi algo que não percebia antes. Vivo sempre no auge das emoções, sempre intensa e não costumo pensar no que está no presente. Sempre no futuro ou passado. Viajo de lá pra cá todos os dias.Faço análises entre o que era e o que é. Entre o que é o que será...Todos os dias escolhas e mais escolhas.
    Entrar aqui e ver tudo o que escrevi me deixa estranha por que perdi muito aqui, muito tempo, muitas explicações direcionadas a ninguém.  De verdade hoje não sinto falta de escrever os assuntos que escrevia aqui, não gosto da impessoalidade nem mesmo do sarcasmo. Não sinto falta do drama, muito menos dos conflitos vividos. Vir aqui me faz lembrar do que passou e me obriga a encarar que as escolhas que somos feitos a fazer na vida tem um tempo hábil. Não existe marcha ré na vida. E acredito estar perdendo a habilidade de antes de demonstrar meus sentimentos em palavras.
   Antes me apegava as lembranças, as pessoas que passaram pela minha vida e que já não estavam mais presentes. Hoje entendi finalmente que a melhor atitude que  tomei em relação a elas foi de deixar ir, deixar viver, deixar ser feliz. Todos ficaram bem, todos encontraram um destino e uma saída de seus próprios medos.
   Hoje vivo o depois daqui. E do fundo do meu coração, escrever aqui era um alívio para meus dias, me fazia colocar tudo pra fora por que o peso de ser eu naquela época era terrível. Era angustiante ser alguém que carregava um sorriso no rosto e um buraco no peito. Posso dizer com certeza que a busca em conhecer Jesus que tenho hoje, foi o que me salvou do abismo de mim mesma. Busco me libertar de mim todos os dias ao abrir meus olhos pela manhã. Por que Deus é o único que pode transformar minhas fraquezas em força.
   Hoje me olho no espelho e vejo alguém em construção, vejo como a vida passa rápido e que não tem como parar o tempo. Vejo alguém que não tem mais dentro de si a vontade de provar ser nada para ninguém, que vive o hoje sem rancor, sem ódio do meu passado e sem mágoas guardadas dentro da caixa com o formato de coração.

   

06 maio 2016

Ela irá se casar

Sim! Está marcado, agendado, programado. Ela irá se casar e será logo. Faltam... 28 dias.

28 janeiro 2016

Ela

  Ela não era boa para se expressar. Vivia levando palavras na mala, por que nunca eram bem interpretadas mesmo. Será a intonação de sua voz? Será a vontade ardente de ser entendida que atrapalhava?
  Tentar provar que estava certa nunca a ajudou em literalmente nada, e mesmo assim insistia em tentar expor o que por dentro nem ela sabia definir, explicar. Eram palavras, pensamentos demais para organizar em frases.
  Das mil faces que alguém pode ter, a que mais colocava era a de implacável. Aquela que sabe o que quer, aquela máscara que tem escrito em caixa alta " SOU EU MESMA E NÃO VOU MUDAR PARA AGRADAR", mas na real não era nada disso. Sempre tentando se adequar, se alinhar na direção do que lhe parecia certo fazer, e não mesmo( nem sequer por um segundo) seguir a voz na sua cabeça que lhe dizia o oposto. 
  Com o tempo percebeu que as frases que ouvia não eram o que realmente significavam... " Seja você mesma!" era na real " Seja o que eu quero que você seja", "Você é especial" estava mais para " Sou eu que te torno especial". E por assim em diante.
  A dor não era sentida, o amor era inventado e os dias suportáveis. E então depois de muito ferir e ser ferida, de tanto procurar entender os outros e desconhecer a si mesma ela finalmente se olhou no espelho e percebeu, que não adiantava se aprofundar no outro e no que o outro desejava se não compreendia as profundezas do que era ser ela.

08 janeiro 2016

O pior

  O pior era não ver os resultados, sacrifícios atrás de sacrifícios e nenhum retorno. O espelho refletia apenas frustração.  
  O pior foi ver meus dias, as horas indo embora junto com a vontade de viver. Números seguidos de contagens, seguidos de choro e exercícios. Me lembro de não viver, de querer parar mas não conseguir... Me lembro de ter um querer e que por mais que ele fosse sofrido era sempre o mesmo e primordial querer. Era um eu que não conhecia o limite, o próprio limite.  O engraçado é a sensação de estar escrevendo isso agora... De lembrar a queimação nas costas, sentir a dor no estômago, o palpitar na cabeça...O cansaço!
  Se valia a pena? Um pouco. Não o suficiente para parar...
  O pior é ver que tudo não passou de ilusão. Ver os números voltarem... O pior foi lutar pelos outros e não por mim. De ter que ficar bem e esse bem que era visto pelos outros nunca ser o suficiente para mim.
  O pior de fato é ter certeza de que esse julgamento será para sempre, e que o juiz nunca ficará a meu favor.