19 fevereiro 2019

Parei um dia para ler

Parei um dia para ler esse blog, e meu Deus... Que vergonha alheia Senhor!

Eu era e ainda sou bem dramática com as palavras. Que tenso. Me dá medo de ler alguns desses textos, por que eu escrevo como se fosse outra pessoa em alguns, mas os sentimentos e alguns fatos foram reais. E ai me pego decifrando apenas pra mim para quem e quando foi destinado cada texto.
Por muito tempo escrevi apenas para uma determinada pessoa e é estranho conseguir ver todos os textos e reflexões que um relacionamento gerou. E em conjunto o que todos os outros marcaram em mim.
Estava pensando em como sou uma pessoa difícil, em como eu magoei os outros e mim mesma. Em como esse blog mexe comigo cada vez que entro aqui e me permito sentir tudo isso que coloquei pra fora como maneira de silenciar meus pensamentos.
Muita coisa mudou, mas muita coisa continua a mesma  do lado daqui. Eu continuo aqui, depois de 10, sim! 10 anos. Continuo com essa vontade louca de tentar me entender, de tentar entender que tudo que passou. Tudo que eu deixei de ser e de fazer, todos os hobbies e vontades. Todas as coisas que me definiam e definem hoje como ser humano, menina, mulher...
Isso tudo é constrangedor. Ver que eu tenho um dossiê dos meus sentimentos passados. Ver que tudo que eu passei apesar de parecer ter sido narrado aqui, não foi. Muitos textos que foram deixados pra trás. Muitos sentimentos que foram enterrados, outros guardados. Pessoas que se mantem vivas, presentes dentro mim através desses textos.
É louco hoje ver que o tempo simplesmente passou, como se fosse nada. Como se eu tivesse apenas dormido e do nada... Acordado no aqui, no agora.

Não sinto culpa, sinto dor. Dor pelo tempo que passou. Existe aquela sensação de que " eu poderia ter feito mais, vivido mais, me permitido..."

Existe ainda muita coisa.

17 fevereiro 2019

O que penso do começo

Sinto tanto. Tanta falta. Me pego de repente pensando em tudo, em cada palavra, em todos os caminhos que caminhei e o que vivi, do que vivemos.
Me lembro de tudo que você fez por mim, do quanto eu lutei para apagar tudo isso da minha memória. Do quanto doeu deixar pra trás, te deixar guardado. Do quanto doeu ver você virar lembrança.
Olho pro espelho as vezes e penso o quanto mudamos, o quanto nossos olhares envelheceram. É estranho pensar no que era e no que tudo se tornou...As músicas que me recuso ouvir por que me levam pra lá, para o nosso mundo onde meses pareciam anos, anos que não foram o suficiente. Mundo que não tem passagem de volta.
Me sinto presa, presa dentro de mim, do casulo que  me envolvi. Presa dentro da casca feliz e pra cima, dos sorrisos e piadas prontas, feitas para funcionar. Empurrando os deveres bem na frente das vontades, colocando o tempo pra depois, não se atrevendo falar.

Aquele nós que não existe mais e aquela mania de pensar que se houvesse uma brecha na fenda do tempo eu te puxaria de volta, embalaria sua vida e viveria o teu amor.

12 junho 2018

As pessoas costumam fugir do problema e não caminhar em sua direção

Sei muito bem como é. Primeiro se apaixonam pela loucura, pelo jeito de falar. Falam mal do andar torto mas tentam acompanhar cada passo. Dizem que precisam dela e depois descartam como se tudo o que falaram a ela não tivesse significado nada. Nada mesmo!
Arrumam suas vidas, refazem suas palavras, pensamentos e destroem tudo e qualquer coisa que possam os lembrar da existência dela. Afinal, antes o problema e a fraqueza eram a cola que segurava tudo. Era o que os igualava ou pelo menos o que parecia os conectar.
Agora tudo acabou. Ela continua sendo um problema, mas eles acharam ou reencontraram a solução. Afinal as pessoas abraçam o conhecido, se embebedam do confortável, se acalentam no pássaro que está na mão e de jeito nenhum escolhem andar no campo minado que ameaça a cada passo deles dado vir a explodir.


28 maio 2018

O aqui e o agora

"Eu jogo com as cartas que tenho"


Sim, estava lá sentado tentando escrever o que se passa por dentro de si. Tentando entender o que tudo isso significou para ela, para ele para todos os envolvidos no agora. A avalanche não vai rolar, o vulcão não vai acordar e toda a carga que  imaginava que seria jogada ao ar, voltou para o seu lugar de origem.
Toda essa parte dramática, o, o cansaço, o  " nós precisamos um do outro" ou até mesmo o "se apoie em mim" foram letais, o afetaram, mas hoje não vão fazer sangrar... Não mais.
Decidiu jogar com as cartas que lhe foram dadas. Decidiu parar de pensar e viver o aqui e o agora. Ou melhor, o depois.
Não tem espaço dentro dele para guardar mágoa ou rancor. Sobre isso, só desejava a ela amor, sentimento, nada de dor.  E de fato entendia, era para ser assim.
Ele entendia de verdade que não existe adeus para aquilo que de fato nunca foi seu.

21 maio 2018

Sobre ficar

Eu deveria escolher entre ficar ou ir. Entre abandonar ou deixar ir, de existir.
Deveria escolher entre o aqui e o depois, entre o que pode durar ou viver o hoje sem pretensão. Eu deveria saber entender o que diz meu coração.
 Gostaria de poder partir, deixar fluir o furacão... Sentir a tempestade, me envolver e me encontrar na escuridão.
Queria entender os sentimentos, saber ler e interpretar meus pensamentos. Poder pedir perdão sem ter que te falar tudo o que me assombra, toda a pressão. A euforia me devasta, me cansa e me faz arder.Mas logo ela passa e deixa a bagunça e o vazio profundo me preencher.
O real motivo de tudo isso acontecer é a verdade de me perder ao encontrar você. De me moldar pro mundo para poder simplesmente sentir o "pertencer".
A real motivação para levantar não me sustenta durante muito tempo, fico cansada. Cansada de fingir, de sorrir, de viver. E no fim a solidão me abraça, não me assusta nem nada... Estou acostumada.
E a realidade me bate. Me diz que o medo que tenho não é de morrer... Tenho medo do viver.

05 maio 2018

Sentir



   Hoje acordei decidida a sair e tentar ver o mundo, ver gente. Ultimamente me encontro confusa, cansada. Sabe o que parece? que a dor me acompanha onde vou. A felicidade parece não gostar de mim, ou quem sabe eu não sei lidar com ela.
   Me chamam de muitas coisas... De louca, ingrata, bipolar. São muitos nomes e poucos sabem quem realmente sou. Na verdade acredito que apenas uma pessoa sabe quem sou. É com ela que eu consigo falar e ser o que sou.Conseguia né...
   De um jeito ou de outro as pessoas se afastam, preferem assim. Acredito que fazem isso porque é difícil lidar com alguém como eu. Viver comigo é como estar em uma montanha russa, uma montanha russa que nunca para. Entendo as pessoas que se vão, entendo que afasto também todos os que querem fazer o esforço de estar por perto.
   Ninguém quer estar ao lado de um problema ambulante. Ninguém gosta de drama, de ter que sei lá... Conviver. Escrevendo assim até parece que sou um fardo ou sei lá... Mas as vezes posso sentir que existem pessoas que me querem por perto, que tentam sabe? 
   Já ouvi dizer que o problema todo sou eu. Eu não consigo confiar mais. Não consigo me permitir sentir. E dói! Sempre vai doer tudo que eu perdi por isso, por ser assim. Por deixar a vida passar, por deixar os outros decidirem por mim.
   Se consigo sentir? Se consigo saber quem sou e sentir o que realmente me machuca?  A parte que me falta? E se existe mesmo uma parte faltante... Eu sei que falta.
   Eu só queria sentir! Sentir tudo que até hoje não me permiti. Queria saber viver, queria fugir de mim, fugir de tudo que me cerca, me envolve, me sufoca! Eu só queria não ligar, apenas sentir o vento, o som, o sentimento que faz o tempo parar e que não me permitiria aguentar ficar de pé... Sentir quem sou, não ligar pra isso e sentir o amor.
   Acredito ser o único jeito de sair daqui.

14 março 2018

Vida

Existem  coisas que desejamos que não precisamos, e as desejamos por não saber o que é o melhor.
   
 
   Sempre tive problemas de aceitar que o que passou passou. Que não tem como corrigir as coisas que fazemos ou as pessoas que deixamos para trás. E até mesmo as coisas que um dia aceitamos.
   Minhas falas e pensamentos não são saudosos como aparentam ser, são apenas pensamentos. Cogitações sobre o que foi, é e o que poderia ser. Acredito já ter falado sobre isso anteriormente aqui. 
   A vida passa, as pessoas vão, voltam e o ciclo começa e termina simultaneamente. Não dá para parar, não dá pra voltar atrás, não dá para acelerar também o tempo. Costumo pensar que isso é uma bela bosta, mas  será que o acerto existiria sem o erro? será que o certo seria considerado certo se o errado não existisse para o confrontar?
   Não dá para fugir das cicatrizes que a vida nos dá, as histórias existem para contar. Os " E se" não fazem sentido se nada pode ser feito. Penso que o segredo pra sobreviver a tudo isso, as coisas da vida... O segredo está em se apegar ao que está a sua frente. Tudo vai continuar, a vida é simplesmente um trem sem parada. E quando se entra nele, não tem como descer.