24 fevereiro 2014

É o que tenho para contar

Em meio a tanta dor e raiva presentes. Encontro-me no centro. No meio de um furacão.

Quando as pessoas olham pra mim de relance, não fazem ideia de como é ser e ter o que eu tenho. Graças a imperatividade alguns me julgam alegre, agitada.. sei lá, talvez feliz.  Graças ao DDA outros me acham meio lenta para processar as coisas. E ai a lista vai aumentando gradativamente... Ser bipolar é um caso sério.  Uma hora feliz, outra depressiva, outra uma mistura estranha das duas. Cada dia uma surpresa. Cada hora uma maneira diferente de reagir

17 fevereiro 2014

Venho por meio desta me confessar

Bom dia meus amigos. Sendo imaginários ou não. Sendo humanos ou não. Enfim, sendo o que são e ponto.

Sabe quando você se olha no espelho e não vê nada além de gordura? E ela é cruel, não se contenta em ficar localizada em um só lugar. Ela quer mais né? Ela quer habitar aonde puder. Se a resposta for sim, tipo, eu sei do que você está falando Karenn. Então parabéns ( ou não), você está no mesmo barco furado que eu. E sim, a frase anterior foi regada com sarcasmo, humor negro e raiva.

Engordei meio quilo e estou louca da minha vida com isso. Já me sinto perdendo o controle. Já me sinto gorda, imensa  e enjoada. Essa semana tenho uma meta de não comer carboidratos e nem proteína. Sim, vou ficar nas saladas e frutas.

Quando se começa a restringir o que comer é complicado, por que você ainda sente gosto. Você sente o cheiro de comida e ainda tem lembranças felizes... Mas depois tudo o que aquele cheiro te proporciona é pavor. E o seu paladar? Ah, ele não existe mais. Então não tem essa de sentir falta de comer tal coisa. Não se sente nada além de dor quando te obrigam a comer algo que antes você comia numa boa.
Pizza. Eita felicidade que sentia quando uma bem grande chegava em minha casa. Chocolate então... Nossa, uma explosão de loucura e sabor descendo direto pela minha garganta. Coca-Cola era água. Mas isso foi antes. Hoje comer essas coisas não é mais aceitável.
Quando como chocolate a única coisa que vem na minha cabeça é: Quantos minutos de exercício terei que fazer para queimar essas calorias terríveis?

É uma droga. E de verdade, nada é pior do que você saber que no fim mesmo que emagreça mais um pouco, não será o suficiente. Porque no fundo o suficiente não existe.

20 janeiro 2014

Cansada

Dor nos ossos. Dor de cabeça. Choro constante e fortes dores no peito. Tenho que dizer, hoje ao analisar quantos quilos eu perdi vi que para muitas pessoas são bastante. Ao todo? 15 quilos de pura gordura eliminados. A gora não me pergunte como consegui isso em pouco tempo. Minha neura com perder peso já fez um ano e meio, mas minha fissura dura uns quatro meses. Para mim 15 quilos é pouco demais.

Estou com 46 quilos agora. Tem dias que me peso e dá menos que isso, o que me dá certa alegria. Pra mim? Quanto menos melhor. 

Me sinto mal pelas pessoas que ficam preocupadas com minha saúde. Tenho 1.64 cm e para alguns estou beeeemmm magra. Mas eu não vejo isso.
 Tem sido mais difícil com minha mãe de férias. Ela fica em cima demais. Se não fosse minha família tentando me controlar eu estaria menos gorda.

Bom, tenho que dizer que ver meus ossos no espelho é lindo pra mim. As vezes fico louca me olhando no espelho... Porque do nada acho que eles estão menos aparentes. Ou em algumas roupas vejo minhas pernas enormes e meus braços sei lá... meus braços e pernas sempre foram um problema.
 O que eu tenho vontade de comer? NADA
Meu Deus tem sido sacrificante demais engolir, mastigar a comida.  Fica sempre aquelas frases se repetindo na minha cabeça... O que você está fazendo??? Pára de mastigar.Pára de encher esse seu estomago nojento.

 E ai existe um ritual. Comer o mínimo possível e depois.. Depois tomo um sal de fruta. Na minha cabeça ele vai fazer meu estomago trabalhar mais rápido. Ah pode ser loucura da minha cabeça, mas penso isso ué.

 A pior parte? Meus cabelos. Como caem... Caem tanto que tenho que prender para dormir. é uma merda. Incomoda demaaaaiiis... pentear tem sido horrível. Eles caem e caem...

tenho me pesado menos. Tipo umas 5 vezes por dia. E tenho tentado não contar as calorias. Mas sempre conto alguma coisa por cima né...

Estou irritada demais com tudo isso. Com o fato de não saber se tenho controle ou não controle sobre mim. Não sei mais identificar. Só penso nisso, vivo isso e isso? isso é um inferno. 

16 janeiro 2014

Imagine

Gostava de confeitaria. De assistir seriados de culinária. Uma cor para ele? Azul.


A primeira vez.O chinelo e jeans. Bonés... pelo menos uns três.Todos pendurados em seu quarto, ou em algumas ocasiões simplesmente jogados no pufe atrás( ou a frente) de sua cama de viúvo.
Era um sonhador. Era o amor em forma de gente. Era dedicado em ser ele mesmo não importava com quem ou onde. Não era como o resto de nós que se camufla para sobreviver em ambientes diferentes.

Era um menino, um homem quando preciso. E nada além de seus sentimentos o fazia mal. Ele era a noite a perfeição. E não escrevia, por mais que lhe pedissem. Mas as palavras em sua boca podiam levar ao paraíso e a ruína. Sua fascinação por listerine intrigava alguns e ah... pirulitos de morango.

Conseguia enxergar beleza no escuro.Alguns achavam que ele era um mágico, com poções poderosas capazes de encher um coração de amor e sentimentos felizes. Diziam que estar com ele era como sair de órbita. Como sair desse mundo ruim.

Uma frase? Esse mundo não presta. As pessoas são nojentas e más.

De fato tinha razão. O mundo é isso.

Ele era tudo. Era capaz de elevar a alma, de fazer você transbordar num misto de loucura, amor e medo.

14 janeiro 2014

Depois de muito tempo

Oi. A palavra certa não existe mais. Estou cansada. Cansada de mim, de ser eu. Muita coisa anda acontecendo... Muita coisa ruim  e eu uso esse blog como um refúgio da porcaria que envolve meus dias.
Me sinto sozinha, não melhorei em nada e de verdade? Não quero melhorar.

Estou cansada das pessoas falarem que preciso engordar. Cansada de ser obrigada a comer. Cansada das merdas que eu faço e falo. Como me sinto agora? Um misto de solidão e raiva. E as vezes momentos felizes e de novo a merda toda no ventilador.

Não engordei, meu braço não parou de formigar, não quero ficar gorda. Tenho comido na frente das pessoas pra ver se param de encher o saco.Não quero ir em droga de médico nenhum.

Estou cansada de ser ameaçada. Nada como o: ''Ou você come ou vou te internar'' pra acabar com meu dia.

Sinto saudade de partes antigas minhas e as vezes me olho no espelho e não reconheço quem é aquilo.

Acredite, gostaria de saber quantas karenn's existem também. Não confio em mim. Tenho medo, sinto medo o tempo todo. Talvez um dia eu consiga entender tudo isso. E se não entender o azar é meu não é mesmo?

Não sei que vontade é essa que eu tenho de fazer merda. Não sei mesmo.

Só sei de uma coisa: Eu me odeio. Odeio mesmo. Todas as partes... Minha voz, meu sorriso alheio, frio e calculado para certas pessoas e ocasiões. Odeio meu corpo, meu jeito de falar, odeio tudo. Minha cor, minha pele e o fato de ser bipolar. Odeio. E me pergunto se um dia isso vai mudar. Acho que não.

Conheci pessoas que nunca precisei mentir, fingir, omitir nada. Sinto falta de conseguir ser o que era antes. Comecei a odiar músicas também...

Hoje o ódio está em alta. Desculpa.

p.s. Eu não danço mais.

20 dezembro 2013

Só quero a verdade

Boa noite,

Você não tem ideia da situação. Estou doente. E doente não por me considerar doente. As pessoas dizem, o médico disse, e o mais importante: Minha família disse.
Está sendo difícil pra mim assumir tudo isso como uma doença...E de verdade? As vezes não considero não.
Sei que você deve estar curioso agora, mas calma.Contarei tudo direitinho e prometo que ao final desta postagem você de tudo saberá.

Uns dizem que fiquei louca, que minha mente deu um curto circuito e pirei. Outros tem pena- que eu considero bem pior do que me rotular de louca. Uns falam o nome da doença e me olham com a aquela cara de tipo.. - Nossa você uma menina tão inteligente e saudável caindo nessa!!! (E sim, essa frase saiu da boca de pessoas recheada de sarcasmo e ar de desapontamento.) Ou pior, dizem que isso é frescura, coisa de garota fútil que só pensa na aparência.

Vou te contar diário, antes era para me aceitar. Agora já não sei mais para que. Não me acham bonita, roupa nenhuma fica normal em mim e ainda por cima, as vezes olho para o espelho e não espero beleza. Espero me aceitar e conviver com isso. Não gosto do nome da doença, não a considero uma amiga que me ajuda a ser quem sonho ser. Me olho e não vejo o que me dizem parecer.

A magreza para mulher é como um sonho. Toda mulher quer ser magra, linda. A moda transformou a palavra magreza como o novo linda, assim como o amarelo é o novo preto nesse verão.

Preciso do controle. Vivo perseguindo isso. Não ter o controle me assusta, me apavora.
Desde criança eu tinha a mania de contar tudo. Quantos passos eu dava da minha casa até a escola, quantos minutos daria tudo, quantas janelas tem naquele lugar ou quantos minutos consigo ficar sem respirar. Eu contava tudo... Hoje vejo que nesses 23 anos de vida, busquei ter controle o tempo todo. E ao crescer, me vi contando novamente, só que outras coisas. Os números são meus inimigos hoje. Não os vejo como algo diferente. Eles podem me deixar feliz num dia... E me deixar louca em outros..Hoje conto calorias. E essa contagem tem definido meu dia, minha noite e minha madrugada.
As vezes olho para trás e não consigo entender como eu cheguei até aqui. Por que toda essa guerra interior? Por que meu peso importa tanto?
A pior coisa que tem é você ver todos comendo e sendo felizes. As pessoa olham para a beleza da comida, para o gosto que ela tem. Eu só vejo números.  Que inveja de ser normal.

Hoje me olho no espelho e não me reconheço. Estou machucando sem querer as pessoas que amo e isso me dói, por que não sei como sair dessa. Não sei como fazer.
Só posso te dizer uma coisa, eu estou tentando sair de onde estou. Estou tentando sair dessa prisão que nem eu sei como fui parar nela. Estou morrendo de medo.
só te digo uma coisa, nem todos os nossos problemas estão relacionados a família. Minha família e principalmente minha mãe tem sido a minha cura. Se eu não estivesse machucando a todos ainda estaria de olhos fechados para o espelho e para o que eles veem.
minha oração diária é: Deus que eu veja o que eles me dizem ver. Quero a verdade!

Odeio quando me dizem que estou com anorexia. Por que não quero ser uma doente. Não quero. É ruim ler e até mesmo escrever o nome dessa droga. Estou tentando parar de me pesar, de contar, de pensar... Estou tentando encontrar a verdade.

14 novembro 2013

O coração de uma garota é um mar de segredos


Faz tempo que não falo, não escrevo nada sobre o que aconteceu ou está acontecendo em minha vida. E as vezes até prefiro isso, já que tudo é sempre tão complicado.
 A sensação que predomina nesse momento é que estou perdida. Que não sei como enfrentar o que está acontecendo. Tudo depende de mim agora. Se eu não fizer nada tudo vai escorrer entre meus dedos... Na verdade tentar controlar minha vida amorosa é o mesmo que tentar segurar o vento. Não se escolhe que ama, não se escolhe as reações. Não se escolhe muitas coisas, mas algumas precisam ser escolhidas. Algumas não fluem... Não tem como segurar o vento e nem saber para onde ele vai ou vem, mas tem como fechar as janelas para ele não entrar, tem como escolher o perfume que ele levará consigo e tem como acelera-lo... tipo com o ventilador talvez.

Ontem fiquei pensando sobre tudo o que anda acontecendo e sobre as pessoas que estão na minha vida. Analisei todas as palavras que foram ditas e todas as promessas feitas. E mesmo colocando todas as cartas na mesa, não cheguei a algo conclusivo.

A verdade é que não existe razão para as coisas que vem do coração né? A racionalidade não existe se comparada a emoção. E essa guerra sei que vou travar pelo resto da minha vida. Se fosse fácil, se não fosse tudo tão complicado quando se trata de mim... As vezes complico um pouco- mesmo sem querer- mas tem coisas que são complicadas mesmo por que são e ponto final.

O problema de tudo isso é que não me sinto mais em casa. Não sinto que pertenço a um lugar definido e a única coisa que vem na minha cabeça é que no fim todo mundo que estava envolvido comigo ou ao meu redor, consegue seguir outro rumo. Consegue começar histórias inéditas e eu.. Eu continuo na mesma história, presa no mesmo enredo outra e outra e outra vez.
Elas mudam se cidade, elas param de frequentar os lugares antigos, elas mudam de perspectivas e eu... Eu continuo presa. remoendo momentos, revivendo sozinha cada hora, cada segundo. Relembrando cada perfume e gosto. E no fim disso tudo o que vejo é que sou uma doente viciada no passado e uma medrosa ridícula que teme um futuro.